Duas etapas, um processo
Quando falamos de cobrança condominial, existem duas grandes etapas: a extrajudicial e a judicial. Entender quando usar cada uma — e como integrá-las — é fundamental para uma gestão eficiente da inadimplência.
O que é cobrança extrajudicial
A cobrança extrajudicial acontece antes de qualquer ação na Justiça. Envolve:
- Comunicação direta com o inadimplente por telefone, e-mail, carta ou WhatsApp
- Negociação de prazos e condições de pagamento
- Tratativas para chegar a um acordo
- Registro de todas as tentativas de contato
A grande vantagem dessa etapa é a agilidade: não depende do sistema judiciário e pode resolver o problema em dias ou semanas.
O que é cobrança judicial
Quando o extrajudicial não resolve, a cobrança judicial entra em cena. Isso significa:
- Ação de cobrança movida contra o inadimplente
- Processo formal no Judiciário
- Possibilidade de penhora de bens, incluindo o próprio imóvel
- Execução forçada quando há sentença favorável
O processo judicial é mais demorado e depende do trâmite do Poder Judiciário, mas é uma ferramenta poderosa quando necessária.
Quando usar cada abordagem
Comece pelo extrajudicial
Na maioria dos casos, faz sentido iniciar pela cobrança extrajudicial:
- É mais rápida
- Tem custo menor
- Preserva melhor o relacionamento
- Muitos inadimplentes pagam nessa fase
Avance para o judicial quando
- O inadimplente não responde às tratativas
- Há recusa em negociar
- Os valores são significativos
- Há risco de prescrição da dívida
- O extrajudicial se esgotou
O problema de "jogar de mão em mão"
Um erro comum é tratar extrajudicial e judicial como serviços separados. O condomínio contrata uma empresa para cobrar, não dá certo, aí contrata um advogado para entrar com ação, aí perde o histórico, aí...
Esse modelo fragmentado gera:
- Perda de informações
- Retrabalho
- Inconsistência
- Atrasos desnecessários
A vantagem da operação integrada
Quando extrajudicial e judicial são conduzidos pela mesma operação, com o mesmo histórico e os mesmos critérios:
- O processo flui naturalmente de uma etapa para outra
- Não há perda de informações
- Os advogados conhecem o caso desde o início
- A gestão tem visão unificada
Jurídico integrado, não jurídico separado
O ideal é que o jurídico não seja apresentado como "ameaça" ou "último recurso dramático". Ele deve ser uma camada técnica que sustenta a estratégia e dá continuidade ao fluxo quando necessário.
O objetivo nunca é "judicializar tudo". É ter um caminho claro e previsível para cada situação.
A etapa judicial depende de critérios e necessidade de cada caso.


